Todo estudo leva à conclusão de que a Natureza sempre procura o equilíbrio, a estabilidade. Um rio só repousa quando encontra o mar ou se transforma num lago. Hoje se discute equilíbrio ecológico, ambiental, com a consciência de que tudo funciona de maneira orquestrada, conjunta, interdependente. Mas essa busca da Natureza pelo equilíbrio nem sempre é lenta e suave; um raio equilibra a energia entre o céu e a terra, e o faz de forma instantânea e tenebrosa.
Há não muito tempo, mesmo no Brasil, eram impensáveis algumas uniões inter-raciais, exceto aquelas primeiras, até folclóricas, entre portugueses e negras e, eventualmente, índias. Os italianos foram bem receptivos e sua proximidade com os portugueses deve ter facilitado mútua aceitação. Outros imigrantes, especialmente os japoneses, foram mais resistentes. Hoje, é difícil encontrar família que não apresente uma saudável mistura de raças. Mas isso também nem sempre foi suave, apesar de lento. E este fenômeno vai também sendo observado em outras terras.
Minha primeira lembrança de Nossa Senhora Aparecida vem da infância, quando em Tambaú, SP, aconteciam milagres que o povo atribuía ao padre Donizetti: uma canção sertaneja (O milagre de Tambaú) contava a história de uma ricaça, que, pelo milagre recebido, quis presentear o padre com um colar de ouro que tirou do pescoço. O padre recusou e orientou que o desse à primeira pessoa do caminho. Ao encontrá-la, diz a canção, desceu do carro, mas “na hora se arrependeu. Por ser uma pobre preta, cinco mil-réis ela deu”. Logo voltou a sentir a doença e retornou ao padre. Ele, estendendo-lhe a mão: “Teus cinco mil-réis ‘tá aqui, guarde pro resto da vida; a pretinha que ‘ocê’ viu era a Senhora Aparecida”. Era já denúncia do preconceito contra o negro e o pobre. Muito pior: contra a negra pobre.
Momento de reflexão
Pela ação das águas barrentas do rio e longa exposição à fuligem das lamparinas das primeiras décadas de culto, a imagem de Aparecida adquiriu a cor de canela, símbolo de brasilidade. A miscigenação, reduzindo o preconceito, vai dando ao brasileiro sua coloração definitiva. Se o negro é sensível ao frio e o branco, ao calor, a Natureza aqui está cuidando de buscar o equilíbrio, na cor que a ela melhor se ajusta. Um dia seremos todos cor de canela, como se manifestou a Santa.
Dia 12 de outubro de 1717 foi a imagem retirada das águas, quebrada em duas partes. Primeiro veio o corpo; depois, a cabeça. Então a pesca tornou-se abundante. Veio aos pedaços, como é a formação do nosso povo: uma porção europeia, uma africana, outra de nativos, outra de asiáticos. A abundância virá para todos quando todos formarem “um só corpo e um só espírito”, numa concorrência leal e competição sadia; mas, sobretudo, com espírito fraterno e solidário. Dia 12, portanto, celebramos o Dia de Nossa Senhora Aparecida, neste que a ONU proclamou Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes. Que seja um momento de profunda reflexão. Das aparições de Lourdes, de Fátima, de Guadalupe, a uma simples e quebrada imagem de argila, como explicar tamanha propagação de fé e devoção? Essa Virgem morena, cor de canela, certamente tem um recado para todos nós
Carlos Roberto Marques é Leigo Missionário da Consolata – LMC, e membro da equipe de redação. Publicado na revista Missões, n. 08 – out. 2011. www.revistamissoes.org.br
Fonte: Revista Missões


























Que a mãe aparecida toque o coração deste povo incensato, que olhe para as pessoas de cores diferente,com olhos de brilhante que se faça uma profunda reflexão olhando todos com esperito fraterno lembrando que são humanas criadas a imagem de Desus o mesmo que se fez homem para nossa salvação remindo nosso na pecados na cruz